Outubro, último mês de pesca esportiva, tem feriado prolongado e operação da Polícia Militar Ambiental

“O dourado está fazendo a festa do nosso turista”, comemora a empresária de turismo Joice Santana, de Corumbá, ao avaliar como “excelente” a atual temporada de pesca, que se finda no dia 5 de novembro – período da piracema –, com o retorno do “rei” do rio à bacia do Rio Paraguai. A moratória à espécie, decretada pelo Estado, é um indicador da importância do pesque-solte na preservação do estoque pesqueiro.

 

Com a pesca esportiva liberada por mais 30 dias nos rios de Mato Grosso do Sul, barcos-hotéis, pesqueiros e pousadas estão com lotação máxima e o setor tem uma expectativa de manter o fluxo de pescadores para 2020. A nova legislação da pesca amadora, que entra em vigor em 1º de janeiro do próximo ano, estabelecendo a cota zero para as principais espécies, não vai impactar a atividade no Estado. Ao contrário, a adesão do pescador é quase unânime.

 

“Os meus clientes apoiam em cem por cento a cota zero e estão renovando as reservas para o próximo ano”, diz Joice, cuja agência opera com turismo de pesca no Rio Paraguai há mais de 20 anos e hoje conta com uma frota de onze barcos-hotéis. “O dourado tem sido o peixe mais fisgado e isso demonstra que a proibição da captura de outras espécies será bom para todos, principalmente para o Pantanal”, sustenta. “Vamos ter um 2020 muito bom de pesca.”

 

Marju Venturini: “governo e trade não estão sozinhos pela conservação”. Foto: Edemir Rodrigues

 

Pescador consciente

 

O otimismo do trade reflete a satisfação do pescador em fisgar grande exemplar de um dourado, pacu, jau ou pintado, fato raro nos anos anteriores. Marju Venturini, do Parque Hotel Passo do Lontra (Corumbá), classifica a temporada como uma das melhores da década e projeta mais turistas no próximo ano com o advento da cota zero. “Estamos lotados em outubro, o turista está engajado no pesque-solte e o movimento vai dobrar em 2020”, garante.

 

Para o empresário Áttila Lellis, da Pousada Inhuma, no distrito de Albuquerque (Corumbá), 2019 está sendo um ano de fartura de peixes e manteve o fluxo turístico, apesar da extensão das queimadas na região, cuja fuligem ainda incomoda os visitantes. “Muitos turistas compraram pacote de cinco dias e em três dias já conseguiram a cota (5 kg e mais um exemplar). A cota zero é uma questão de adaptação, vai pegar a partir do segundo ano”, comenta.

 

Hoje apoiador da nova legislação pesqueira, o empresário Marcos Aurélio Nunes, 51, dono de pousada em Porto Murtinho, também fez uma avaliação positiva da temporada de pesca e está com lotação completa para o último mês. “Voltamos a ter uma boa safra de peixe, o dourado tem garantido as melhores emoções e os pescadores estão fazendo reservas para o próximo ano”, diz, animado. “O pescador quer emoções, poucos estão tirando o peixe do rio.”

 

Pesca em família predomina nos rios: mulheres também aderem ao pesque-solte. Foto: Saul Schramm

 

Pescar em família

 

O Rio Paraguai é o principal polo pesqueiro do Estado, com um diferencial em relação às demais regiões tradicionais de pesca esportiva: as belezas naturais do Pantanal, entre Corumbá e Porto Murtinho. São mais de 1.500 km de rio para desfrute e as duas cidades oferecem uma das melhores estruturas de barcos-hotéis, onde o pescador tem toda comodidade – da isca ao uísque – e ainda goza do prazer de vivenciar um dos biomas mais preservados.

 

Há, ainda, uma variedade de locais para passar o dia na beira dos rios ou embarcado com amigos ou em família. Exemplo das corredeiras do Aquidauana, entre os distritos de Palmeiras (Dois Irmãos do Buriti) e Piraputanga (Aquidauana), cortando uma região de morraria que agora ganha a pavimentação, pelo Governo do Estado, da Estrada Ecológica. O mesmo Aquidauana passa por Corguinho (distante 100 km da Capital), onde fica o Poço do Jau.

 

Outros rios piscosos, com fácil acesso: Coxim e Taquari, na região Norte; o Paraná, divisa com São Paulo e Paraná; Dourados, Miranda, Abobral (Pantanal da Nhecolândia, com acesso pela Estrada-Parque, a MS-184)) e Piquiri (divisa com Mato Grosso). No Passo do Lontra (MS-184, acesso pela BR-262), em Corumbá, o Miranda recebe as águas do Aquidauana e atrai pescadores de todo o país. Tem boa estrutura de hospedagem e pesca, incluindo áreas de camping.

 

Mato Grosso do Sul é um dos principais destinos de pesca esportiva do País. Foto: Saul Schramm

 

PMA em operação

 

O período de defeso para reprodução dos peixes, abrangendo os rios da bacia do Rio Paraguai, se estende de 5 de novembro a 28 de fevereiro. Nestes quase quatro meses, as principais espécies comerciais dos rios do Estado (pacu, pintado, cachara, curimba e dourado) estão protegidas para fazer a longa viagem em direção às cabeceiras e se reproduzirem, espetáculo que ganhou o nome na língua tupi-guarani de “piracema” (saída de peixes).

 

Com a previsão de maior movimento de pescadores nos rios, por ser o último mês de pesca do ano e com o feriado prolongado, entre os dias 11 a 13, a Polícia Militar Ambiental (PMA) iniciou no último dia 1º a Operação Pré-Piracema, envolvendo 360 policiais em todo o Estado. O objetivo é intensificar a fiscalização, prevenindo e reprimindo a pesca predatória, além de combater outros crimes ambientais, como o tráfico de papagaios em período de reprodução.

 

Ao anunciar a antecipação da Operação Piracema, a PMA divulgou um balanço das apreensões, prisões e autuações ocorridas no mês de outubro de 2017 e 2018. De um ano para outro, as autuações (maioria por pesca ilegal) reduziram em 51,13%, com 38 prisões em 2018. A quantidade de pescado apreendido ficou entre 684 quilos (2017) e 605 quilos (2018). Os valores das multas por pesca predatória também foram semelhantes: R$ 87 mil e R$ 85 mil.

Foto da semana – Aquário Natural – Baía Bonita (Bonito)

site http://www.aquarionatural.com.br